quinta-feira, 15 de junho de 2017

A INCOERÊNCIA DE ALGUNS DEPUTADOS


António Costa podia tê-lo dito, mas não disse. Mas o certo é que a candidatura de Lisboa à Agência Europeia do Medicamento foi apoiada há cerca de um mês por unanimidade na Assembleia da República.

Eis os nomes dos deputados eleitos pelo círculo de Coimbra:

 - Margarida Mano PSD
- Fátima Ramos PSD
 - Maurício Teixeira Marques PSD
- Ana Oliveira PSD

- João Galamba PS
- Elza Pais PS
 - Pedro Coimbra PS
- João Gouveia PS

- José Manuel Pureza BE

 Todos eles querem que a Agência Europeia do Medicamento em Lisboa e não em Coimbra, Porto ou Braga. Alguns deles vieram depois dizer uma coisa depois de terem dito outra: Margarida Mano, Fátima Ramos, Maurício Marques e Ana Oliveira, todos do PSD. São políticos do partido português mais votado,  também o mais votado em Coimbra, que não teve maioria para governar (felizmente, digo eu). Mas, como muitos políticos portugueses, dizem primeiro uma coisa e a seguir dizem outra completamente oposta.

 Que legitimidade tem agora o candidato do PSD, Jaime Ramos, em reclamar para Coimbra a referida Agência Internacional? O seu partido votou, afinal, em bloco contra essa sua pretensão.

Estou em crer que os outros deputados (PS e BE, da geringonça) são pelo menos coerentes: queriam a Agência em Lisboa, em obediência ao  governo, e continuam a querer.

Fico a pensar: Não teria sido melhor  alguns eleitos de Coimbra tivessem concorrido por Lisboa? Ou não teria sido melhor que os eleitores de Coimbra tivessem escolhido pessoas, dos partidos ou independentes, que defendessem os interesses do seu círculo em vez de defenderem os interesses do seu partido?

3 comentários:

  1. Estimado Carlos Fiolhais,

    Agradeço a oportunidade de repetir aqui o que já tive oportunidade de exprimir sobre o meu voto a favor do Voto de Saudação n.o 306/XIII/2.a "De apoio à candidatura de Portugal à sede da Agência Europeia de Medicamentos", proposto pelo PS. Passo a citar:

    “O meu voto foi, sei-o hoje, um erro. A abstenção seria o voto correto.
    De facto em abril quando foi comunicado pelo Conselho de Ministros que a intenção de candidatura havia sido manifestada junto de Bruxelas, foi convicção generalizada que havia sido feito estudo de sustentação. E o sentido nacional exigia que nos solidarizássemos.
    Diz a moção, apresentada e votada a 12 de maio que "Portugal apresentou candidatura para sede da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e este é um projeto e um desiderato verdadeiramente nacional. Na sequência do Brexit as agências europeias sediadas no Reino Unido terão que ser relocalizadas e Portugal apresenta fortes argumentos para que Lisboa seja escolhida. (...)".
    Os sucessivos questionamentos sem resposta levaram-nos (deputados do PSD Coimbra) entretanto a duvidar que tal estudo tenha sido feito. Por isso, e na sequência das declarações do Ministro, formalizamos, no inicio de junho, ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros ao abrigo, das normas constitucionais e regimentais, as seguintes questões:
    1- Foi estudada como alternativa de localização para a Agencia Europeia do Medicamento, a Cidade de Coimbra?
    2- Em caso afirmativo, porque é que o Sr. Ministro se referiu apenas à alternativa de Localização da citada Agencia, a Cidade do Porto?
    3- Caso a resposta à primeira pergunta seja negativa, porque razão não foi estudada a hipótese de localização em Coimbra?
    4- Que estudos foram realizados que levam a concluir pela escolha da Cidade de Lisboa?"
    Ninguém está nesta fase interessado em desvalorizar a candidatura de Portugal (embora seja difícil que Portugal venha a ser o país eleito), e gostaríamos muito de estar a ter esta discussão antes (como referiu há poucos dias o Sr. Presidente da Republica) mas se a decisão não ponderou alternativas (mesmo sabendo o Governo que nenhum país europeu tem mais de duas Agências Descentralizadas na capital, e que a Hungria e Portugal são quem tem mais: duas - França também mas com outras duas em Angers e Lille) o sentido nacional exige falar, apesar de tudo.
    Muito me agradaria, e me sentirei honrada pelo meu voto, se nos vier a ser entregue um estudo anterior a abril a sustentar a decisão. “

    Consciente que procuro SEMPRE pautar as minhas intervenções pelo sentido de responsabilidade que me dá o voto popular, mesmo quando falho, e NUNCA por interesses seguidistas ou conjunturas eleitoralistas,

    Sou-lhe grata pela oportunidade, com estima,

    Margarida Mano

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  2. Cara Margarida Mano
    Muito obrigado pelo seu esclarecimento. Errar é humano e todos nós erramos.
    Li, depois de escrever, que não tinha estado presente na reunião da Assembleia da República que aprovou a candidatura por Lisboa, mas vejo que afinal esteve.
    Vamos a ver se a Câmara, a Universidade e outras instituições conseguem candidatar Coimbra, agora que o processo foi aparentemente reaberto pelo governo devido aos protestos gerais. O processo anterior estava viciado pelo governo pois a Câmara de Lisboa era a única que estava na comissão de candidatura.
    Cordialmente,
    Carlos Fiolhais

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  3. O processo de candidatura português continua viciado, pois o governo quer limitar a escolha a Lisboa e Porto, impedindo que Braga e Coimbra se candidatem. Mas eu não percebo o governo. Se o Porto tem condições por que é que tinha sido excluído pelo governo?

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